Raças

Por que duas raças

Ao contrário do Nelore, a fêmea Braford 1/2 sangue tem uma conformação corporal de posterior largo e pari com facilidade. Além disso, é boa produtora de leite e tem excelente aptidão materna. O Braford 1/2 resulta do cruzamento do Hereford, de procedência européia, com os zebuínos Brahman / Nelore. Esse choque de sangue produz um animal forte, rústico e dócil, cujas fêmeas são muito recomendadas como receptoras de embriões.

Origem do Nelore no Brasil

Nelore é o nome de um distrito da antiga Província de Madras, estado de Andra, na costa oriental da Índia. Foi dali que embarcaram para o Brasil os primeiros indivíduos dessa raça de zebuínos da espécie Bos Indicus.

Os primeiros registros de entrada dessa raça de gado no Brasil são de 1868, com a chegada de um casal de animais em Salvador, na Bahia, onde permaneceram no zoológico da cidade. O Nelore se expandiu lentamente, primeiro no Rio de Janeiro e na Bahia, depois em Minas Gerais e finalmente em São Paulo, onde foi introduzida pelos Rocha Miranda, entre outros criadores.






Registros da década de 40, do arquivo histórico da fazenda Paredão, no município de Oriente (SP), de propriedade dos selecionadores de Nelore PO, Nelson e Cláudia Piñeda, bons selecionadores da raça (ele, ex-diretor técnico da ABCZ)

Em 1938, quatro anos depois de os Rocha Miranda darem início à seleção do Nelore, é criado o Registro Genealógico e começam a ser definidas as características da raça. Hoje, grandes criadores exibem os registros genealógicos dos primeiros animais adquiridos para a formação de seus plantéis. Estima-se que, atualmente, o gado Nelore e anelorados representem 80% da força produtiva da indústria da carne no País. Mas a predominância dessa raça nem sempre foi um fato na história dos zebuínos no Brasil. Na verdade, dentre as raças indianas aqui introduzidas, a Nelore foi a última a despertar o interesse dos criadores brasileiros.


Foto publicada no Diário de São Paulo: reproduor Nelore, de propriedade de
Sergio da Rocha Miranda, em exposição na Água Branca (SP), em 1939

Isso se deve a um fato pitoresco. Os animais das outras raças indianas trazidas para o País, como a Gir, têm orelhas longas, bem ao contrário da Nelore. Quando das primeiras importações, esse era um aspecto morfológico fácil de ser verificado, e o mercado logo passou a reconhecer como de sangue indiano aqueles animais de orelhas pendentes ou semi-pendentes, diferentes dos taurinos. Naquela época, ao contrário do que se verifica hoje, quanto mais longas as orelhas, mais valorizados eram os animais.

As importações de 1930 e, em especial, as de 1960 e 1962, foram decisivas para o início do espantoso crescimento do rebanho Nelore no Brasil. A década de 60 coincide com a ampliação da fronteira agrícola e pecuária oeste do País, formada por grandes extensões de cerrados e viabilizada, agora, pela introdução das brachiárias.


Tourinhos Nelore PO, filhos dos mais renomados reprodutores, criados sempre à campo

Com o cultivo de novas variedades de brachiárias – uma vez que a inicial, brachiária decumbens, provocava a queda da pelagem e até mesmo a morte do Nelore –, está criado o ambiente adequado para que a raça prospere em terras brasileiras. Seu comportamento de gado andejo, com forte instinto de defesa própria e da cria, cuja fêmea pari regular e naturalmente bezerros medianos, saudáveis e que se locomovem com agilidade logo ao nascer, determinam o grande crescimento do rebanho Nelore no Brasil.

Fonte: www.abcz.org.br

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